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LGBTI+ Pela Democracia e pelo Direito de Viver





O Brasil é, infelizmente, um dos países mais violentos do mundo para a população LGBT. Somente em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis (dados do GGB), foram mortas em todo o país por crimes motivados por LGBTI+fobia, somente este ano já foram contabilizados 142 casos, as vítimas são em sua grande maioria, travestis e transexuais. A expectativa de vida desta parte da população é de 35 anos, ainda menor do que países em situação de miséria. Sabemos que a violência de modo geral em nosso país cresce assustadoramente, não descolada da crise mundial do capitalismo que fortalece os valores conservadores, patriarcais, e, gera cada vez mais violência àquelas que não se encaixam nos padrões de sexualidade e gênero.
A Democracia é um dos patrimônios mais valorosos do nosso povo, sofremos em 2016 um golpe imperialista e neoliberal, que nos seus primeiros dias de vigência atacou diretamente a população LGBTI+ e as demais populações vulnerabilizadas por conta da classe, da raça e do gênero, exterminando direitos de toda ordem e por consequência aprofundando o abismo social e econômico.
O fascismo já demonstra à que veio, a prisão arbitrária e ilegal de Lula, por exemplo, aprofundou drasticamente a ferida do já frágil Estado Democrático de Direito e expôs todas nós às mesmas arbitrariedades, ou a abusos piores; A execução de Marielle expressa a que níveis de fechamentos o regime político, excludente das e das LGBTI+ nos espaços de status e poder que nosso país tem chegado. O objetivo daqueles que praticaram estes atos, não era atingir somente estas figuras, mas amedrontar todas e todos que lutam por um país com menos desigualdade e menos ódio. Nós somos ideias, não é possível nos parar. Trata-se de nos unirmos à luta e promover a redução radical das desigualdades econômicas, raciais e de gênero.
Com esse sentimento de indignação e força, convidamos todas e todos LGBTI+ e a população que acredita em uma sociedade mais justa e igualitária para o ato “Pela Democracia e pelo Direito de Viver”.
Assinam o evento,


PT
PCdoB
PDT
PSOL
CUT
CTB
INTERSINDICAL
ABL
ABGLT
ARTGAY
FEM
CNM
CMP
MTST
UNE
UBM
Marcha Mundial das Mulheres
RUA
UJS
UNALGBT
Juventude Manifesta/PSOL
SINDICATO DOS ADVOGADOS Do Estado de São Paulo
APEOESP
SINDICATO DOS METROVIÁRIOS
SINDICATO DOS BANCÁRIOS
AMAPO
INSTITUTO OMINDARÉ
AMAÍ
Kizomba
Levante Popular da Juventude
Grupo Lambda LGBT
AFUSE
MST
Rede periférica LGBT
Familia Stronger
Círculo Palmarino
SINDSEP
Enegrecer - Coletivo Nacional 
de Juventude Negra
IBRAT
Coletivo Para Todos
Sindicato Metalúrgicos do ABC




PAPO DE MINA!

A proposta desse encontro é trocar idéias sobre as vivências de mulheres lésbicas e mulheres bissexuais de territórios de favelas.
Data: 09 de junho as 15h

Local: Galpão Bela Maré

Rua Bitencout Sampaio, 169 -Maré



A realização deste encontro é da Articulação Brasileira de Lésbicas - ABL , Grupo Felipa de Souza e Coletivo Resistência Lesbi de Favelas. 
Esta é uma atividade apoiada pelo Fundo Social Elas.
Contamos com a presença das manas pra termos uma tarde bem bacana. 
Chega mais, senta ai, vamos conversar !!!!


>> EVENTO EXCLUSIVO PARA MULHERES ( . ) ( . ) <<

Mais informações: https://www.facebook.com/

I Enegrecer

Encontro de Beleza do Coletivo de Mulheres Negras

Foto divulgação das redes sociais


O coletivo de Mulheres Negras de Minaçu-GO, nasceu na Universidade (UEG/Câmpus - Minaçu GO), iniciativa de mulheres Negras, inseridas ou não nesse espaço de conhecimento. Na busca pelo fim do racismo, seja institucional, seja o que vive diariamente em suas realidades sociais, que priva muitas de um emprego, de está na academia, de continuar seus sonhos. Partilhando ideias, experiências essas mulheres se uniram, uma contribuindo, mediando com o empoderamento da outra, e dia 21 de Abril (sábado), será o primeiro encontro, que marca os avanços dessa união das mulheres de Minaçu, uma cidade que tem 60,2% da população sendo negras/os, mas que ainda existe muitas praticas racistas.

Pelo fim do machismo, racismo de toda discriminação, convidamos vocês para nos prestigiar.

O Coletivo é novo, tem pouco recurso (nenhum, só parceiros e muita força de vontade), mas chega nesse momento lutando por uma Minaçu, um Estado sem discriminação e mais igualdade de direitos!

PROGRAMAÇÃO

De 13 ás 17h - Momento interno do Coletivo: Maquiagem e fotografias das Mulheres Negras. Muita partilha, beleza e empoderamento, por que tudo começa de nós para o mundo.

18 horas - Palestra: Importância do Empoderamento das Mulheres Negras e os Reflexos Sociais
Em seguida Show:
- Apresentação afro Cultural
- Banda Visual Yle

Homenagens á: #MarielleFrancoPresente



II Festival Internacional Utopia

1968, A rebeldia que não terminou


Acampamento da Juventude: A Década Internacional da Afrodescendência




OBS.: DATA FOI ALTERADA NO ÚLTIMO DIA 17/04



Nova data: de 07 a 10 de junho
Maricá | Rio de Janeiro | Brasil


Local: Praça Orlando de Barros Pimentel, Centro


A segunda edição do Festival Internacional da Utopia trará teatro, música, debate, literatura, acampamento e a feira de reforma agrária pra cidade de Maricá (RJ) e com isso diversas caravanas de todo o Brasil.

De 26 de Abril a 1º de Maio a cidade se movimentará em diversos pontos com o Acampamento da Juventude, atividades na Lagoa de Araçatiba e programações na Praça Central da Cidade. Além de shows que vão rolar no Centro e no Acampamento.

O Festival deste ano trás o tema " 1968, A rebeldia que não terminou" enquanto o Acampamento da Juventude terá a temática "A Década Internacional da Afrodescendência".

Artistas como Chimarruts, Criolo, Emicida, Liniker, e muitos outros se apresentarão nos dois palcos do festival durante os 6 dias de festival.

Inscrições para acampar pelo link:

https://www.sympla.com.br/ 

Para ir no ônibus saindo de Brasilia/DF envie e-mail para: blogdaabl@gmail.com.

Realização do evento: Prefeitura de Maricá

PROGRAMAÇÃO DIÁRIA DO ACAMPAMENTO

(Será adequada para a nova nova data - De 7 a 10 de junho)

Café da Manhã
8h - 9h

Mesa Principal
10h - 12h

Almoço 
12h00 - 13h30

Atividade Setorial 1 
14h - 16h

Atividade Setorial 2
16h - 18h

Auto-organizadas
18h - 20h

Jantar 
19h - 21h

Palco Livre
20h - 23h30

DJ Favela Mundo
23h30 - 00h

Show Banda Local
00h - 1h30 

DJ Favela Mundo
1h30 - 2h

Show Banda Principal
2h - 4h

Palco Livre
4h - 5h30

MESAS PRINCIPAIS

DIA 26 - Ato de Abertura do Acampamento - “Quem se importa com a vida de quem se importa?” Em memória de Sávio, Marco, Patrick, Matheus Bittencourt, Matheus Baraúna, Marielle e todos os nossos.

DIA 27 - “O Grito de uma Geração - Vozes sufocadas e a liberdade como forma de expressão”

DIA 28 - “De Dandara a Marielle - A luta das mulheres negras pelo direito de existir”

DIA 29 - “16 anos de Cotas - Os desafios da geração negra e indígena na Universidade”

DIA 30 - “Negros e Negras LGBT - a luta interseccional pra superar o racismo e a LGBTfobia”

DIA 1º - “Caminhos da Fé - Respeito e diálogo no combate à intolerância religiosa”

Manifestação de indignação a prisão de Lula


ARTICULAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS


"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente,
nós o cometeremos sempre." 
(Pagu)


Brasília, 08 de abril de 2018

A ABL vem a público se manifestar contra a prisão arbitrária do ex-presidente Lula, vendo esta como mais uma ação contra a democracia brasileira e aos direitos fundamentais garantidos constitucionalmente. Entendemos que o desrespeito a Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 5º abre precedente para violabilidade deste e de outros direitos de toda a população brasileira.
Entendemos que o golpe no Brasil, que retirou do poder a Primeira mulher eleita Presidenta da República, Dilma Rousseff, encontra suas motivações na disputa de classe e faz parte de um projeto de poder e concentração de renda internacional, que vem suprimindo direitos humanos, civis e trabalhistas no mundo, tendo países como Grécia, Argentina, México, Espanha, França, Portugal, dentre outros, já tendo sofrido duras ações no mesmo sentido das reformas que estão sendo implantadas no Brasil (trabalhista, previdenciária e terceirização) e alguns também pela criminalização de lideranças de esquerda.
Assim, o golpe vem cada vez mais cerceando os direitos, seja pela aprovação relâmpago da Lei ”antiterrorismo” (Lei 13.260/15) que tem como intuito liberar a forte repressão policial contra os movimentos sociais e manifestações públicas. Além disso, passamos pela desarticulação dos espaços de controle social, com a inviabilização de funcionamento de conselhos e comitês nacionais, bem como o não financiamento e limitação de recursos das conferências, como ocorreu com a conferência de Igualdade Racial.
Também, o projeto da direita acelerou o curso do extermínio de lideranças dos movimentos sociais e sindicais, lideranças indígenas e quilombolas, bem como de liderança políticas como a da vereadora Marielle Franco e outros pelo Brasil. Crimes sem investigações sérias e com poucas perspectivas de punição real dos culpados, seja pelo processo investigativo oportunamente ineficiente, seja pela morosidade do judiciário, que historicamente favorece a partidos e classes econômicas da elite brasileira.
Assim, repudiamos o extermínio físico, a condenação sem provas, a prisão arbitrária e a tentativa de criminalizar nossas lideranças, como no caso do ex-presidente Lula e da Vereadora Marielle Franco, não permitiremos a construção de narrativas que matem simbolicamente o que estas pessoas representam, pois suas vozes não podem ser caladas e continuarão a ecoar através de nossa militância e luta cotidiana.
Logo não podemos dissociar o golpe da luta de classes e pelos direitos humanos, pois foi nos governos de Lula e Dilma Rousseff que o país superou o declínio econômico ocasionado pela implantação da agenda neoliberal (1980-2003), período no qual a economia brasileira cresceu em média 0,2% ao ano. Enquanto nos governos petistas (2003 a 2014) a pobreza foi reduzida 55%, o salário mínimo teve um aumento real de 76%, o país atingiu o pleno emprego e as desigualdades sociais foram reduziram drasticamente.
Foram estes os governos que mais construíram universidades e instituições de ensino superior e possibilitaram que pela primeira vez várias famílias tivessem a primeira geração cursar uma faculdade. Bem como ampliou o acesso da população negra ao nível superior, pós-graduação e ao emprego público.
Foi através destes governos que muitas mulheres que foram mães jovens alcançaram o sonho de dar continuidade a seus estudos, através do financiamento de creches aos municípios, escola de tempo integral e pelo ProJovem, bem como milhões de famílias realizaram o sonho da casa própria.
Foram estes governos que implementaram o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/10), o ensino da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena (Lei nº 10.639/03), o Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/13), o Plano Nacional de promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (2009), o Programa Brasil sem Homofobia (2004), dentre outra importantes conquistas.
Assim, é inaceitável usar as falhas sistêmicas no sistema judiciário e de segurança pública, como a morosidade do judiciário em julgar, a não investigação e apuração dos fatos pelos órgãos competentes como prerrogativa para violar direitos constitucionais, da mesma forma que se justificaram os atos da Ditadura Militar de 1964.
Logo repudiamos o voto de magistrados que citam o alto índice de impunidade de homicídios no Brasil para justificar início do cumprimento de pena em segundo instância de alguém que não oferece risco a vida de ninguém, e ainda, com voto anterior pela liberdade de alguém que foi flagrado fazendo esse tipo de ameaça por escutas telefônicas.
Temos ciência de que o golpe não acabará com a prisão de Lula ou a cassação dos registros dos partidos de esquerda, pois continuará com o massacre aos movimentos sociais, com a possível suspensão do processo eleitoral deste ano e até com uma nova intervenção militar a nível nacional, mas profunda do que a que ocorre hoje no Rio de Janeiro, como vários militares vem se pronunciando nos últimos anos pelas redes sociais e até em entrevistas.
Assim, reiteramos nossa posição contra o golpe e a ruptura democrática que provocou, e, nos solidarizamos com PT e com o ex-presidente Lula, que são hoje os maiores alvos, pois atualmente são os únicos em condições de disputa pelas vias democráticas com a direita.

# LulaLivre
#MarielleVive

Plenária Mundial LGBTQI+

Carta da Plenária LGBTQI ao Fórum Social Mundial 2018 

Sem LGBTQIfobia e qualquer outra opressão, outro mundo é possível! 

Nós, travestis, transexuais, lésbicas, gays, bissexuais e intersexos, temos participado do Fórum Social Mundial desde sua primeira edição em Porto Alegre, em 2001. Sabemos que a luta contra as discriminações por identidade de gênero e de orientação sexual é parte da luta contra as opressões e não terá êxito se não estiver inserida diariamente nas lutas contra os machismos, os racismos, as xenofobias e todas as formas correlatas de intolerância, e pela superação da dominação da humanidade pelo mercado e pelo capital. Ao mesmo, tempo, os movimentos que lutam pela superação das desigualdades sociais e contra a exploração no mundo do trabalho devem reconhecer a centralidade estratégica de nossas lutas num projeto de emancipação da humanidade. 

A resposta das classes dominantes à crise de 2008 é o aprofundamento do projeto neoliberal por todo o planeta, com o agravamento dos ataques aos direitos sociais e a classe trabalhadora. As teses do estado mínimo e dos ajustes fiscais, com cortes de recursos para educação, saúde, cultura, assistência e demais políticas sociais, são outra face desta agressão que implica concretamente em negação de nossos direitos. É um braço do neoliberalismo o fascismo recrudescendo os conservadorismos de todo tipo. 

O imperialismo também avança em sua sanha golpista na América Latina e seus governos neoliberais, com raras exceções, adotam medidas anti povo, de redução de direitos sociais e de criminalização dos movimentos sociais, enquanto os movimentos sindicais, sociais e populares tentam organizar a resistência e o enfrentamento a tais ações e em defesa dos povos. E a intervenção federal no RJ é uma das marcas da crescente militarização dos governos neoliberais do continente e deve ser denunciada como um instrumento de extermínio das populações que são descartáveis ao capital como a juventude negra, pobre e das periferias, e população LGBTQI, em especial travestis e transexuais. 

Ao lado dos ataques do neoliberalismo o cenário mundial em relação às pessoas LGBTQI, apesar de alguns avanços institucionais localizados, mostra uma preponderância do preconceito e da discriminação. Mais de 70 países criminalizam as pessoas LGBTQI, alguns inclusive com a pena de morte, e é crescente a articulação de setores religiosos conservadores em oposição ao reconhecimento de direitos para o segmento LGBTQI. Um dos instrumentos dos ataques destes setores às demandas LGBTQIs e feministas é o combate à inventada “ideologia de gênero”, sob cujo espantalho tem sido aprovadas normatizações que visam impedir que a educação tenha abordagens voltadas à igualdade de gênero, bem como à diversidade sexual, assim como qualquer avanço de direitos e empoderamento no campo de gênero, o que atinge não só a população Trans, mas todas as mulheres e LGBTQI+. 

A Plenária LGBTQI do Fórum Social Mundial considera que uma de nossas principais tarefas neste momento é a defesa da democracia e do estado democrático de direito, pois esta é uma condição até mesmo para a preservação de nossas vidas, já que o aprofundamento dos estados de exceção legitimam assassinatos como os de Santiago Maldonado na Argentina e da companheira Marielle Franco no Brasil. É preciso erguer a voz para denunciar estes assassinatos como afrontas a qualquer possibilidade de vida democrática, bem como proclamar que as tentativas do governo e tribunais golpistas de impedir o ex-Presidente Lula de ser candidato são uma continuidade do golpe que depôs a Presidenta Dilma Rousseff. Dizemos ao lado de todo o povo: não à prisão de Lula, prisão sem crime é anticonstitucional. 

Acreditamos que nossas agendas de lutas devem ser norteadas pelo reconhecimento de que como pessoas LGBTQI somos também negras e negros, jovens, da terceira idade, população em situação de rua, encarceradxs, pessoas com deficiência, e outros marcadores sociais que podem ampliar nossos níveis de vulnerabilidade social. E essa condição exige uma defesa firme do direito à saúde integral LGBT, e a denúncia de que a epidemia de HIV/Aids, que continua a avançar principalmente entre a população mais jovem, permanece como uma grave questão de saúde pública e social, com desafios exacerbados pelos desmontes das políticas públicas de saúde e de atenção às pessoas vivendo com HIV, e em relação aos quais precisamos resistir. 

Os movimentos LGBTQI defendem as plataformas de reconhecimento legislativo de seus direitos em todo o mundo, e da mesma forma como temos proclamado que homossexualidade não é “doença” para ser “curada”, exigimos em todo o mundo a despatologização das identidades trans, pois o que deve prevalecer neste direito à identidade é a auto declaração. 

Indicamos a todas as pessoas LGBTQI nos países que viverão processos eleitorais, que busquem a construção de plataformas e candidaturas LGBTQIs efetivamente comprometidas com nossas bandeiras de luta. 

Reivindicamos junto à organização do Fórum Social Mundial nosso reconhecimento como movimento social efetivamente comprometido com estas bandeiras de um novo mundo. Para isso, estamos constituindo um Grupo de Trabalho LGBTQI do FSM, a partir das redes e organizações que convocaram nossa Plenária e demais participantes, e desejamos intensificar e formalizar esta participação. E reafirmamos a consigna desde 2001: sem LGBTQIfobia e qualquer outra opressão, outro mundo é possível! 

É preciso lutar, resistir, criar, TransFormar para defender a soberania e a liberdade dos povos e principalmente o planeta e a vida com dignidade para todas todos sem qualquer discriminação ou violação de direitos. 


Observação: esta Carta é subscrita pelas redes e organizações que convocaram a Plenária LGBTQI do FSM, bem como as pessoas que dela participaram. 



Como as expectativas de gênero se formam na puberdade ao redor do mundo


Autores/as: Robert W. Blum, M.D., Ph.D., M.P.H., Kristin Mmari, Dr.P.H., M.A., e, Caroline Moreau, M.D., Ph.D., M.P.H.

Department of Population, Family, and Reproductive Health, Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, Baltimore, Maryland

O período de adolescência (de 10 a 19 anos) é um dos períodos mais críticos de desenvolvimento humano, pois a saúde e o bem estar dessa idade influenciam as trajetórias da saúde com consequências ao longo da vida. Embora considerado o período mais saudável da vida útil, o período de puberdade (de 10 a 14 anos) também é um período de transição em que muitos comportamentos de saúde são adquiridos. No entanto, isso foi muito negligenciado.

Para resolver esta lacuna, em outono de 2011, um grupo de seis equipes de pesquisa se reuniu em Dakar, no Senegal, para começar a conceituar um estudo focado em adolescentes na puberdade. Um ano antes, a Organização Mundial da Saúde convocou um comitê de especialistas para identificar especificamente as prioridades para a saúde dos adolescentes; e a escassez de pesquisa no início da adolescência foi identificada como uma lacuna primária.

Em Dakar, as desigualdades de gênero e suas consequências para a saúde e saúde sexual e reprodutiva emergiram mais amplamente como principais prioridades. Ao longo dos quase quatro anos que se seguiram, o grupo inicial de países colaboradores cresceu para 15 dos cinco continentes (Equador, Bolívia, Bélgica, Escócia, Estados Unidos, África do Sul, Malawi, Quênia, RD Congo, Burkina Faso, Nigéria, Egito, Vietnã, China e Índia).

Naquela época, havia pouca compreensão ou pesquisa prévia sobre como conceituar ou medir construções-chave relacionadas a normas de gênero, relações, sexualidade e capacitação no início da adolescência. Para entender melhor as transições de gênero desde a infância até a adolescência, decidimos iniciar o estudo Global Early Adolescent, questionamos os jovens e seus pais sobre suas experiências de crescer como garoto ou garota em suas comunidades. Baseado nas vozes de jovens e país, o presente suplemento especial captura alguns dos temas transversais sobre essas transições em locais e continentes. O que nós ouvimos?


1. O mito hegemônico: existe um conjunto global de forças das escolas, dos pais, da mídia e dos próprios pares que reforçam os mitos hegemônicos de que as meninas são vulneráveis e que os meninos são fortes e independentes. Mesmo em locais onde os pais reconheceram a vulnerabilidade de seus filhos, eles se concentram em proteger suas filhas.

2. As meninas na puberdade são a encarnação do sexo e da sexualidade: em todo o mundo, os meninos na puberdade são vistos como predadores e meninas como possíveis alvos e vítimas. Mensagens como, por exemplo, não se sente assim, não use isso, não fale com ele, os meninos vão arruinar o seu futuro. Essas reproduções apoiam a divisão de gênero do poder e promove a segregação sexual para preservar a sexualidade das meninas. Em alguns lugares, as meninas internalizam essas normas até mais do que os meninos.

3. Cubra-se e não saia: como consequência das percepções dos adultos sobre a vulnerabilidade sexual feminina, em quase todos os locais, a mobilidade das meninas é muito mais restrita do que para os meninos. Como uma garota de Assuit – Egito, observou: "Uma garota não pode sair como deseja, porque ela é uma menina e se uma garota chegasse em casa tarde, seus pais gritaria com ela, mas está certo para um rapaz".

4. Os meninos são problemas: devido às preocupações dos adultos em relação à sua vulnerabilidade sexual, as meninas são repetidamente ditas para se afastar dos meninos e existem sanções se não o fizerem – punição, isolamento social, rumores sexuais e insinuações. Meninos e meninas lamentam esta situação. Brincaram juntos quando crianças e eram amigos, mas agora com a puberdade, essas amizades já não são legítimas.

5. Tanto os meninos quanto as meninas estão cientes de colegas que não são conformes os padrões de gênero: os jovens (assim como vários pais) falavam de colegas cujos interesses, aparência, roupas e/ou aparência eram mais típicos do sexo oposto. Para esses jovens, houve sanções e pressões significativas para se adequar ao que é visto como comportamentos apropriados ao gênero; e nossos dados quantitativos sugerem que os meninos são ainda menos tolerantes com esses colegas do que as meninas.

As normas e crenças de gênero têm implicações significativas para meninas e meninos. As consequências para as meninas em muitas partes do mundo incluem o casamento infantil, abandono escolar precoce, gravidez, HIV e risco de infecção de transmissão sexual, exposição à violência e depressão. Mas, apesar das percepções populares, os meninos não são ilesos. Como resultado dessas normas hegemônicas, eles se envolvem e são vítimas de violência física em muito maior extensão que as meninas; eles morrem mais frequentemente por lesões involuntárias, são mais propensos a abuso de substâncias e ao suicídio; e, como adultos, a expectativa de vida é menor do que a das mulheres. Essas diferenças são socialmente não biologicamente determinadas.

À medida que os jovens crescem para se tornarem homens e mulheres, eles se engajam e constroem seus próprios gêneros, entendendo o que significa ser um homem ou uma mulher. Este processo é suscetível de mudanças, promovendo abordagens de igualdade de gênero que têm o potencial de melhorar o bem-estar de meninos e meninas adolescentes a curto e longo prazos. Esse é o desafio à nossa frente, mas primeiro vamos ouvir atentamente o que os jovens e seus pais e responsáveis estão nos dizendo.

Perfil das inscritas no II Encontro Nacional da ABL


Para o seu II Encontro Nacional a ABL recebeu inscrições de 16 estados e do Distrito Federal, das cinco regiões do país. Foram cerca de 100 inscrições de são Lésbicas, mulheres Bissexuais, Trans e não binárias, mobilizadas, rumo ao Rio de Janeiro, para debater sobre ativismo e suas interseccionalidades.
A partir da inscrição foram coletados dados que permitem traçar o perfil das participantes confira:

1.Idade e transição geracional

A pesar de cerca de um terço das inscrita estarem serem jovens (entre 19 e 29 anos), este número ainda é muito baixo, dado o crescente ativismo juvenil na pauta feminista e LGBT.


Contudo é importante avaliar que o ativismo virtual e individual está mais comum que a mobilização em torno de pautas convergentes, e a pluralidade de ideias vem dificultando a formação de uma agenda comum dos movimentos sociais e populares como um todo.
Além das pautas envelhecidas a voz da juventude nos movimentos sociais ainda tem pouca atenção, o que vem dificultando a renovação e a oxigenação de ideias. Por isso a ABL busca o empoderamento de mulheres jovens, de modo que possam agregar novas pautas políticas e agregar valores a bandeiras históricas como a criminalização da lesbofobia, bifobia e trasfobia.

2.Identidades e feminismos

Considerando que as identidades são um conjunto de valores histórico-culturais, crenças e padrões sociais, as identidades que passam pelo gênero feminino trazem consigo valores interseccionados com sua condição de classe, raça/cor, orientação sexual e identidade de gênero, das quais foram abrangidas nas inscrições a sexualidade e raça/cor.
Assim, o encontro contou com uma maioria de 77% de lésbicas, contudo também contou com a inscrição de transexuais e de pessoas trans não binárias. 


Quanto a raça/cor das inscritas, predominou a inscrição de negras (pretas e pardas), em segundo obteve-se a inscrição de brancas, e, considerando que a somatória de outras denominações discriminadas no gráfico abaixo como outras, tendo atingido apenas 1%.


A pluralidade de identidades proporciona construções coletivas e solidária entre mulheres, que justas são capazes que dialogar novos aspectos do feminismo de lésbicas, feminismo negro e do feminismo trans.

3.Regionalidade

Com a realização do evento no Rio de Janeiro já era esperada a presença predominante do público desse estado (55%). 
Considerando que a ABL está presente, atualmente em 18 estados e no Distrito Federal, em comparação com o gráfico abaixo, ressalta-se que pessoas não filiadas de estados onde não há representação da ABL também se inscreveram, como no caso do estado de Minas Gerais, Espirito Santo e Rio Grande do Sul. Bem como nota-se também a ausência de inscrições de estados que possuem abelianas (Maranhão, Tocantins, Santa Catarina, mato Grosso e Mato Grosso do Sul). 


Assim, obtivemos um quadro de uma maioria inscrita não filiada a ABL, que obtiveram informações sobre nosso evento através de nossas filiadas e ou do site e redes sociais.


Ressalta-se que 50% das inscritas participa de alguma organização ou movimento social local, enquanto 16%, participam de organizações nacionais (sem contar a ABL) e 34% não participa de nenhuma organização, o que demonstra um número de mulheres que ainda não estão engajadas em agendas e ações coletivas, contudo sua manifestação pelo desejo de participar do II Encontro Nacional da ABL demonstra vontade política de participar e conhecer mais sobre a a pauta.




Repúdio a decisão judicial que incentiva a "Cura da Homossexualidade"


NOTA DE REPÚDIO


Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2017.



A Articulação Brasileira de Lésbicas – ABL, torna público seu total repúdio à iniciativa conservadora e desumana do incentivo à cura da homossexualidade.


No dia 15 de setembro de 2017, através de uma decisão liminar o juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho determinou que o Conselho Federal de Psicologia – CFP, a interprete de modo a não proibir que psicólogas/os façam atendimento buscando reorientação sexual. Ressalta, ainda, o caráter reservado do atendimento e veda a propaganda e a publicidade.

Segundo o CFP, na audiência de justificativa prévia para análise do pedido de liminar, o Conselho Federal de Psicologia se posicionou contrário à ação, apresentando evidências jurídicas, científicas e técnicas que refutavam o pedido liminar. Os representantes do CFP destacaram que a homossexualidade não é considerada patologia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) – entendimento reconhecimento internacionalmente. Também alertaram que as terapias de reversão sexual não têm resolutividade, como apontam estudos feitos pelas comunidades científicas nacional e internacional, além de provocarem sequelas e agravos ao sofrimento psíquico.

O Conselho lembrou, ainda, os impactos positivos que a Resolução 01/99 produz no enfrentamento aos preconceitos e na proteção dos direitos da população LGBT no contexto social brasileiro, que apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia. Demonstrou, também, que não há qualquer cerceamento da liberdade profissional e de pesquisas na área de sexualidade decorrentes dos pressupostos da resolução.

No entanto, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho não considerou o posicionamento do CFP e manteve a decisão absurda que legaliza a “cura da homossexualidade”. Tal decisão é um ataque frontal aos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres e homens transexuais e deve ser motivo de luta de toda nossa população e de todas/os parceiras/os da população LGBT do Brasil. Essa medida representa um retrocesso considerando que desde 1985 o Brasil retirou a homossexualidade do Código de Doenças e que a população LGBT deste país luta a cada dia para se manter viva.

Esta decisão reforça as históricas violações de direitos humanos de toda a população LGBT, mas principalmente é contra as mulheres que já sofrem com a subordinação imposta pelo patriarcado e demonstra que este é um país que não caminha distante do fascismo. Assim o machismo aliado ao avanço do conservadorismo religioso no legislativo, executivo e judiciário vem naturalizando e impondo às mulheres condições terríveis de todo o tipo de violência.

Ao tomar esta decisão não se considerou que o Brasil ocupa atualmente a 5° posição no ranking de feminicídio e este índice não faz recorte de orientação sexual e identidade de gênero, pois quando se trata de lésbicas, mulheres bissexuais e transexuais essa crueldade na sociedade é amplificada, aprofundada e ainda mais invisibiliza, como no caso do lebofeminicídio e transfeminicídio.

As lésbicas, mulheres bissexuais não recuarão, não permitiremos que retrocessos como este passem sem luta. Convocamos todas as lésbicas e mulheres bissexuais do Brasil a se juntarem ao movimento social para mantermos nossos direitos duramente adquiridos.


ONU promove roda de conversa online para o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

QUE VISIBILIDADE NÓS QUEREMOS?




Transmissão via Facebook
www.facebook.com/onubrasil


Quando: 31 de agosto, 16h30
Onde: Casa da ONU (Sala LCC)
Quem: ONU Livres & Iguais, LBL, ABL, Candaces e Coturno de Vênus

A Organização das Nações Unidas, no marco da campanha Livres & Iguais, ao lado da Articulação Brasileira de Lésbicas - ABL, da Liga Brasileira de Lésbicas - LBL, do Coletivo Nacional de Lésbicas Negras Feministas Autônomas – CANDACES, da Associação Lésbica Feminista de Brasília – Coturno de Vênus, convidam você para participar do hangout da Visibilidade Lésbica 2017: “Que visibilidade nós queremos?”.

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica foi instituído pelo 1º Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), em 1996. Desde então, o 29 de agosto tem sido uma ocasião para celebrar as identidades lésbicas, mas também, e principalmente, uma oportunidade para destacar os muitos desafios e obstáculos que ainda se interpõem para a efetividade plena de direitos da população de lésbicas no Brasil.

A demanda por visibilidade perpassa várias questões. Lésbicas ainda lutam para ser adequadamente contempladas por políticas públicas, em um país que ainda não colhe sequer dados oficiais desagregados por orientação sexual. O seu direito de transitar no espaço público livre de assédio e de violência ainda é frequentemente desrespeitado. Lésbicas são invisibilizadas no mundo do trabalho – e muitas vezes sofrem discriminação para ingressar no mercado de trabalho, permanecer empregadas e ascender profissionalmente. Sua sexualidade é inadequadamente levada em consideração no desenho de políticas de saúde e por profissionais de saúde. Muitas vezes, o seu nome e a sua sexualidade são apagados da história. Na literatura, autoras lésbicas raramente são publicadas e, ainda mais, lembradas e celebradas. Na política, lésbicas ainda lutam por representatividade e para ocupar os espaços de poder.



Acima de tudo, a população de lésbicas ainda é insuficientemente reconhecida e celebrada em sua diversidade: cada uma tem a sua história, sua trajetória particular e enfrenta a lesbofobia de modos diferentes, porque as violências e as discriminações a que estão sujeitas são específicas e interseccionais. O machismo, o sexismo e o racismo, assim como as relações geracionais, a corporalidade e o capacitismo, são também elementos que informam e estruturam a lesbofobia.


Para celebrar o Dia da Visibilidade Lésbica e falar sobre essas e outras questões – e principalmente sobre as estratégias que podemos desenvolver para enfrentá-las – nós convidamos lésbicas de diversos contextos, trajetórias e histórias para abordar este tema: “que visibilidade nós queremos?


Dia da Visibilidade Lésbica

29 de Agosto

“Silêncio no patriarcado é a voz da cumplicidade.”
Audre Lorde



O Dia da Visibilidade refere-se à realização do primeiro Seminário Nacional de Lésbicas – SENALE, ocorrido em 1996. Naquele momento se debatia a invisibilidade dessas mulheres na sociedade, o que acarretava a inexistência de políticas públicas adequadas para atender suas especificidades, precarizando a qualidade de vida dessas mulheres, principalmente das lésbicas pobres, negras e periféricas, que dependem dos serviços e equipamentos públicos para ter acesso à saúde, educação, segurança, etc.

Mesmo 21 anos depois do primeiro SENALE (atualmente SENALESBI), poucos foram os avanços nas políticas públicas, e o Estado ainda é carente de informações estatísticas que norteiem a formulação de políticas verdadeiramente eficientes, capazes de transformar a vida dessas mulheres.

Quanto a legislação, os avanços ainda estão no campo do judiciário, o que torna a luta continua e árdua. Bem como na atual conjuntura de golpe, pelo qual passa a democracia brasileira, que fortaleceu a bancada fundamentalista e do discurso conservador no país, não há perspectiva de avanços significativos paras pautas sociais e de direitos humanos. Dentro deste cenário a perspectiva atual é de avanço da criminalização das mulheres e de sua sexualidade.

Para Edinalva Monteiro (2017):

"Quando falamos de visibilidade lésbica, falamos de empoderamento das mulheres LBTs, ( Lésbicas, bissexuais e transexuais) é ocupar os espaços de decisões, é mostra p sociedade e espaços públicos que temos demandas, que temos especificidades. E como representante do MOLS-Movimento de Lésbicas de Sergipe, garanto que estamos em busca de fazer a militância que nos cabe e como podemos, isso também é trazer pautas nossas é fazer-se Visíveis"

No dia da visibilidade, além da reflexão sobre as desigualdades sociais e perante a justiça, é importante refletir sobre invisibilidade no contexto histórico e cultural, negando a existência de lésbicas no tempo e seu papel em vários momentos históricos, causando prejuízo emocional e estimulando a lesbofobia e a lesbofobia internalizada nas novas gerações.

Assim, assumir a identidade de lésbica ou de sapatão diante de uma sociedade patriarcal é um ato revolucionário, é contrapor-se a heteronormatividade, que oprimi a sexualidade feminina e condena as mulheres a não vivenciar seus relacionamentos com prazer e plenitude.